
No topo de uma centenária árvore encontrava-se um ninho, dentro dele há três ovos acinzentados. Ninguém podia vê-los porque estavam cobertos de folhas e penas pequeninas. Pousados, no mesmo ramo do ninho, encontravam-se dois corvos. Ambos esperando ansiosamente o momento mais importante de toda a sua vida…o nascimento de três lindos corvos bebés…
Estamos na primavera, o tempo está um pouco ventoso, quando os ovos começam a rachar pouco a pouco…excepto um deles… Somente dois dias depois é que começa a surgir de dentro da casca o terceiro corvo…
“Quando nasci, imediatamente compreendi que era muito desejado, pois pude a expressão de felicidade que os meus pais demonstraram ao me verem! Mas quando olhei melhor para o que me rodeava reparei em algo…. Eu não estava sozinho! Havia mais duas criaturas horríveis, juntamente comigo e com os meus pais, no meu ninho! Mas por que razão me via eu obrigado a compartilhar o meu espaço com aqueles seres insignificantes? Porque permitiam os meus pais tal coisa? Talvez… tenham sido trazidos para ali para os meus pais se entreterem, enquanto esperavam ansiosamente pelo meu nascimento! Pois com certeza que foi isso! Portanto agora podiam ser descartados…
O meu pai partiu em busca de alimento para mim, enquanto a minha mãe se entretêm a arranjar o meu ninho, pois eles não querem que me falte nada! As duas criaturas continuam no meu espaço, os meus pais estão tão preocupados em que eu esteja o mais cómodo possível que ainda não tiveram tempo de se livrarem deles...
Elas estão estupidamente encantadas a observar o chão…Eis o momento propicio para me livrar delas, basta um pequeno empurrão por trás...e... já está!
Não ficaram com muito bom aspecto… mas isso também não me interessa! Poupei trabalho aos meus pais… E aí vem o meu pai e trás bastante alimento...
Mas!?!? O que é que se passa?!? Os meus pais olham aterrorizados para as criaturas esborrachadas no chão...e depois para mim como se eu tivesse feito algo de errado...não compreendo...
Como foste capaz de matar os teus próprios irmãos?!? Pergunta-me o meu pai, enquanto a minha mãe vira-me as costas...consumida pelo desgosto de ter trazido ao mundo mais um “ser” egoísta...”


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